O Dia Mundial da Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa foi oficialmente reconhecido pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 2011. Há evidências que indicam que o abuso de idosos é um importante problema de saúde pública e social.
Tipos de violência contra as pessoas idosas
A mais comum é a negligência, quando os responsáveis pelo idoso deixam de oferecer cuidados básicos, como higiene, saúde, medicamentos, proteção contra frio ou calor.
O abandono vem em seguida e é considerado uma forma extrema de negligência. Acontece quando há ausência ou omissão dos familiares ou responsáveis, governamentais ou institucionais, de prestarem socorro a um idoso que precisa de proteção.
Há, ainda, a violência física, quando é usada a força para obrigar os idosos a fazerem o que não desejam, ferindo, provocando dor, incapacidade ou até a morte. E a sexual, quando a pessoa idosa é incluída em ato ou jogo sexual homo ou heterorrelacional, com objetivo de obter excitação, relação sexual ou práticas eróticas por meio de aliciamento, violência física ou ameaças.
A psicológica ou emocional é a mais sutil das violências. Inclui comportamentos que prejudicam a autoestima ou o bem-estar do idoso, entre eles, xingamentos, sustos, constrangimento, destruição de propriedade ou impedimento de que vejam amigos e familiares.
Por último, há a violência financeira ou material, que é a exploração imprópria ou ilegal dos idosos ou o uso não consentido de seus recursos financeiros e patrimoniais.
Maior parte das vítimas são as mulheres
Para a presidente em exercício da Fundação Abrigo Bom Jeus de Cuiabá, Márcia Antonia Ferreira, a maior violência contra os idosos é o abandono. “Dói tanto quanto um tapa na cara, ou talvez até mais, porque a dor física passa, e a dor do coração, do abandono, acho que não passa nunca”, observa ela, com relatos sobre a história de vida dos 72 idosos, na maioria mulheres, acolhidos pela Fundação. “Muitos idosos são abandonados nas ruas, em casa ou nos hospitais. No Bom Jesus os familiares só aparecem de vez em quando para visitas”.
Segundo a presidente, há casos em que a família fica com o cartão do idoso e pega empréstimo no banco, e nessas situações o aposentado não recebe sua aposentadoria e muito menos o dinheiro do empréstimo. No Abrigo, o idoso fica com 30% de sua aposentadoria, “para o cigarrinho e outras despesas pessoais”.
Um dos moradores do Abrigo Bem Jesus é o engenheiro mecânico e bacharel em Direito Deiran Rudy Pereira, que é natural de São Paulo. Aos 63 anos, é um dos mais jovens da casa. Sem revelar maiores detalhes de seu passado em família, ele destaca que prefere viver no asilo. “”A vida tem altos e baixos, curvas à direita e à esquerda, subidas e descidas… aqui sou bem tratado, me sinto bem e passo parte do tempo lidando com minhas plantas”, declarou.
Doações são bem-vindas
Criada há 83 anos pela saudosa Maria Muller, esposa do interventor Júlio Muller, a Fundação Abrigo Bom Jesus depende das doações da sociedade, porque os 70% da aposentadoria dos idosos destinados por lei à sua manutenção são insuficientes, diante das despesas fixas como o pagamento dos funcionários (enfermeira, psicóloga, nutricionista, assistentes sociais e cozinheira, dentre outros). Muitos voluntários ajudam a instituição e as doações também não faltam, a não ser durante o período da pandemia, em que a Casa ficou totalmente isolada e conseguiu sobreviver sem nenhuma perda para a covid.
“O período da pandemia foi muito difícil por aqui”, concluiu Márcia Ferreira, ressaltando que a entidade necessita de mais doações de produtos de limpeza, como água sanitária, e combustível, para o transporte dos idosos.
Qualquer pessoa pode ajudar com os itens mais necessitados, que podem ser levados até a sede, situada na avenida Historiador Rubens de Mendonça s/n, próximo à 13ª Brigada de Infantaria. Doações e visitações podem ser agendadas pelo telefone 98112-0188.
Sensível à causa dos idosos, o Sindijufe-MT destaca que o envelhecimento é uma realidade que aumenta no país, e por outro lado muitos idosos são vítimas de maus tratos. Nesse contexto, é frequente o uso de seus recursos de aposentadoria pelos próprios familiares, e os idosos geralmente são vítimas de instituições financeiras com ofertas de empréstimos que não cabem em seus orcamentos. São situações que dependem de uma maior conscientização da sociedade. As vítimas hoje são eles, mas no futuro poderemos estar entre elas.
SINDIJUFE/MT
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