O Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário Federal do Estado de Mato Grosso (Sindijufe-MT) tem um novo coordenador-geral. Edivaldo Rocha dos Santos entrou no lugar da servidora aposentada Márcia Polidório, que pediu afastamento por motivos particulares. Em conformidade com o seu estatuto, o Sindicato hoje é administrado por uma diretoria colegiada que possui 3 diretores na coordenação-geral, e além do Edivaldo também desempenham essa função as servidoras Andreia dos Santos Silva e Juscileide Maria Kliemaschewsk Rondon.
Mas, afinal, o que faz com que um servidor já aposentado se interesse por continuar trabalhando, e agora de graça, como membro da direção de um Sindicato? Edivaldo, que atualmente é professor da rede municipal, diz que ainda tem muito fogo para queimar e anuncia que deseja representar bem os servidores diante das lutas cada vez mais difíceis da Categoria, a exemplo da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32/2020, do Poder Executivo, derrotada em 2021 e que nem chegou a ser pautada, por pressão dos Servidores Públicos, mas que deverá ser colocada em votação a qualquer momento, conforme tem ameaçado o presidente da Câmara Federal, deputado Arthur Lira (PP-AL).
Progressista por natureza, que nunca fugiu da luta, Edivaldo assegura que, se depender dele, desta vez a PEC 32 será derrotada para sempre, e é com este pensamento que ele representará o Sindicato de Mato Grosso nos atos de 20 e 21 de setembro, em Brasília, convocados pela Fenajufe. Em entrevista ao Sindijufe, Edivaldo fala o que pensa sobre o momento atual do serviço público e sinaliza o que precisa ser feito pelos Servidores Públicos para barrar os retrocessos.
Os Servidores enfrentam nos últimos anos grandes ataques ao Serviço Público. Salários defasados, problemas na aposentadoria, pautas não atendidas e muitas lutas em aberto, como a data-base, que nunca foi regulamentada. Na sua avaliação, quais são os maiores desafios para os Servidores do judiciário federal?
Acredito no descortinar de novos tempos. Hoje é possível sentarmos à mesa e debatermos as questões de interesse dos Servidores Públicos. A tranquilidade democrática voltou a reinar. É fundamental o respeito às instituições. Acima de tudo o respeito à Constituição. É importante lutarmos pela reposição das perdas inflacionárias das últimas décadas. Recuperar o nosso poder aquisitivos. Com diálogo e colocando os dados matematicamente incontestáveis. Óbvio, passando pela mobilização dos Servidores Públicos acredito que é possível conquistarmos, recuperarmos os grandes prejuízos dos últimos anos.
O aumento da jornada de trabalho vem sendo imposto pelo TRE em Mato Grosso. Será possível reverter este processo?
A jornada de seis horas foi uma conquista histórica dos Servidores do TRE/MT. É importante destacar que o TRE sempre cumpriu rigorosamente as metas estabelecidas pelo CNJ. Sempre ocupou um papel de destaque na Justiça Eleitoral brasileira. Em time que está ganhando não se mexe. Entendo que as 6 horas devem ser mantidas, pois não causa nenhum prejuízo à sociedade.
Qual o papel do Sindicato no atual contexto histórico?
Além de legítimo representante da classe trabalhadora, vejo o Sindicato como um instrumento fundamental e imprescindível em um Estado Democrático de Direito. Se observarmos a história da humanidade todas as conquistas foram frutos de lutas da classe trabalhadora. Neste caminhar é fundamental a participação dos servidores na vida sindical. Tenho como propósito ampliar o número de sindicalizados, pois o Sindicato é a soma de todos nós e o número de sindicalizados atual está abaixo do desejado.
Quais as perspectivas que você visualisa para os Servidores Públicos no atual cenário do Brasil?
Enfrentamos um cenário adverso. Temos um Congresso extremamente conservador com grande influência do Arthur Lira, que é totalmente comprometido com os grandes conglomerados econômicos. A única saída passa pela união da classe trabalhadora, que deve pressionar os nossos dirigentes para recuperarmos as perdas da última década e desta forma proporcionarmos uma vida digna para nossa família.
Quais são os seus planos como coordenador-geral do Sindijufe?
Dar continuidade ao que vem sendo executado pelo atuais diretores e coordenadores. Temos algumas bandeiras de lutas, como a antecipação da parcela de reajuste de 2025 para 2024, tendo em vista que foi constatado uma sobra orçamentária; e a não absorção do reajuste ocorrido em fevereiro de 2023, considerando que alguns servidores estão protegidos sob o manto da coisa julgada. A relação deve ser pautada no diálogo, pois tanto a Administração como o Sindicato estão imbuídos dos mesmos propósitos que é proporcionar à sociedade um serviço de qualidade. Sem esquecer que a administração deve proporcionar um ambiente de qualidade e que a vida não se resume só em trabalho.
O que acha da PEC 32/2000 que trata da Reforma Administrativa?
Percebe-se que durante o processo eleitoral o eleitor fica atento às propostas do Executivo e esquece de observar os candidatos do Legislativo. O Congresso Nacional atual é extremamente conservador. A Reforma Administrativa objetiva privatizar, terceirizar o serviço público brasileiro para beneficiar grupos econômicos e se transformar em cabide de emprego para alguns políticos.
O Estado deve exercer um papel importante no sentido de reduzir as desigualdades sociais e beneficiar os mais necessitados e para isso é necessário investirmos na qualificação e profissionalização do Serviço Público.
A estabilidade representa um benefício para sociedade, pois desta forma é possível termos serviços de qualidade, evitando-se desta forma o sucateamento do Serviço Público. Pesquisas recentes e confiáveis afirmam que no Brasil não temos excesso de Servidores. Na prática não temos um Estado inchado como afirmam alguns segmentos da sociedade.
O avanço da terceirização te preocupa?
O ideal é trabalharmos com a profissionalização do Servidor Público, porque quem ganha com isso é a sociedade. Vale a pena lembrar o trabalho desenvolvido por alguns segmentos do Serviço Público durante a pandemia. A terceirização fragiliza o Serviço Público e aumenta a interferência política na administração pública.
Luiz Perlato – SINDIJUFE/MT
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